ACORDEÕES VALERIO · TRADIÇÃO ITALIANA(11) 98354-0307
Brasão ValerioVALERIO
Menu
Fale conosco

Texto histórico · Janeiro de 1985

O acordeon por
Lauro Valerio.

Um relato sobre a formação do instrumento, a tradição italiana e sua presença no Brasil.

Segundo alguns historiadores, o povo chinês, que inventou o macarrão, a pólvora e a bússola, inventou também, três mil anos antes de Cristo, um instrumento musical chamado “Tchneng”: uma espécie de órgão de boca tido como precursor do acordeon, que seria inventado em 1829 por Cyrillus Demian, austríaco de Viena. No dia 6 de maio daquele ano, ele registrou a patente de um organeto com cinco botões, formando cinco acordes, e o batizou com o nome de Accordeon.

Em 19 de junho de 1829, Sir Charles Wheatstone, em Londres, registrou a patente de um instrumento chamado concertina. Esses dois instrumentos fizeram sucesso imediato: a concertina foi muito difundida entre os marinheiros da Grã-Bretanha, e o acordeon encontrou milhares de admiradores nos países da Europa Central, sendo muito usado em festas populares e folclóricas. Em 1836, foi publicado em Viena um dos primeiros métodos para ensino de acordeon.

Como vimos, o acordeon nasceu muito simples, mas teve um extraordinário sucesso, dada a facilidade de uso. Conquistou um número crescente de apreciadores e também muitas pessoas empenhadas em desenvolver e melhorar o instrumento, ampliando seus parâmetros e suas possibilidades.

Conta a história que tudo nasce sempre por acaso. A lenda diz que, certa noite de 1863, um viajante austríaco, voltando do santuário de Nossa Senhora de Loreto, ficou hospedado na casa de Antonio Soprani, um lavrador que vivia em um pequeno sítio próximo à cidade de Castelfidardo. Antonio era pai de quatro filhos: Settimio, Paolo, Pasquale e Nicola Soprani.

O viajante portava um exemplar de um acordeon rudimentar, atraindo a curiosidade e o interesse de Paolo Soprani, que tinha então 19 anos. Não se sabe como o instrumento foi parar nas mãos de Paolo: alguns dizem que foi um presente do viajante, em agradecimento à hospitalidade de Antonio; outros afirmam que teria sido por outros meios.

O fato é que Paolo se apaixonou pelo instrumento, passou a aperfeiçoá-lo e desenvolveu um novo acordeon. Assim nasceu a clássica fisarmônica italiana, que continuaria a ser aperfeiçoada até os dias de hoje, conquistando o mundo.

Em 1864, iniciou com seus irmãos Settimo e Pasquale a fabricação dos primeiros acordeões italianos, ainda na casa do sítio. Com o crescimento das vendas, construiu em 1872 a primeira grande fábrica no centro da cidade de Castelfidardo.

Os primeiros compradores eram ciganos, peregrinos e vendedores ambulantes que visitavam o santuário de Loreto. Paralelamente a Paolo Soprani, em 1876, na cidade de Stradella, província de Pavia, Mariano Dallapè, natural de Trento, iniciou uma fabricação artesanal de acordeões de altíssima qualidade.

Em 1890, ainda em Stradella, foi fundada a fábrica Salas, pelos sócios Ercole Maga, Dante Barozzi e Guglielmo Bonfoco. No mesmo período nasceram a Fratelli Crosio e a Cooperativa Armoniche. No início dos anos 1900, outro polo produtivo surgiu em Vercelli. Todas essas indústrias se desenvolveram, aperfeiçoaram e exportaram acordeões para todo o mundo.

Naquele momento, começaram a chegar ao Brasil os primeiros exemplares, trazidos pela imigração italiana e alemã: parte ficou em São Paulo, e outra seguiu para Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. O acordeon se difundiu muito no Brasil. Na década de 1950, era comum encontrar dois acordeões na mesma casa. Com suas várias configurações, o instrumento se adaptou à cultura de muitos povos, tanto na música popular e folclórica quanto na erudita.

Nos anos 1960, com o advento do rock n’ roll, o acordeon perdeu parte de sua força, levando ao fechamento de muitas fábricas. Só no Brasil, nas regiões Sul e Sudeste, existiam cerca de 32 fábricas; hoje, não resta nenhuma.

Contudo, ainda se fabricam na Itália acordeões modernos e sofisticados. Essa cultura não vai perecer: o instrumento está difundido e é apreciado por todas as classes sociais, em festas populares e em teatros com orquestras, executando belíssimas peças de concerto por exímios acordeonistas amadores e profissionais. Este é um pequeno resumo da história do acordeon.

Lauro Valerio

Linha do tempo

Conheça a história
do acordeon.

Leia a versão revisada sobre o desenvolvimento do instrumento e sua presença no Brasil.

Ver história do acordeon →